MAIS UMA SAIDEIRA

Só mais uma…

2.9.09

Dica Sonora

Nota publicada dia 02/09/09 no site Digestivo Cultural

Vagarosa, de Céu
Se você não sabe qual das novas cantoras de música brasileira escolher, despreze olimpicamente a maioria delas e concentre-se na Céu. É provavelmente a única que não ficou presa no cânone da MPB dos anos 60, não se espelha obsessivamente na Marisa Monte dos anos 90 e nem tenta pegar o vácuo da ressurreição eletrônica da bossa nova nos anos 2000. Num momento em que até as velhas divas perderam o rumo – porque seus principais compositores perderam igualmente o rumo –, Céu traz uma nova proposta, inspirada no balanço do reggae e nas levadas do funk, na sofisticação do jazz e na tradição do melhor samba, com pitadas inteligentes de música eletrônica. Seu segundo CD, Vagarosa, soa diferente de tudo o que está aí, provocando um saudável estranhamento inicial até em ouvidos experimentados. Não apela para a batida fórmula de “voz e violão”, não se entrega ao romantismo cafona das trilhas de novela e nem precisa do cansativo axé da Bahia para se sustentar. Céu não parece ter crescido no Brasil das últimas décadas – ao menos, musicalmente. Não há nela, por exemplo, nenhum ranço de Roberto Carlos (a efeméride mais caduca deste ano), Caetano & Gil (um não conseguiu se recuperar da separação; o outro, do MinC) ou mesmo Nelson Motta (depois de Noites Tropicais, todas as arrivistas sem talento querem fazer parte de sua biografia). Fora os horrores do sertanejo universitário, dos religiosos cantores e das dançarinas multi-uso – Céu também passa longe do mau gosto do Brasil das classes C e D. É a intérprete, e a compositora, que a gravadora Trama gostaria de ter lançado; que Maria Rita poderia ter sido (se tivesse um programa mais definido); e cuja independência as veteranas hoje almejam, porque Céu parece ter identidade própria, quando todo mundo navega ao sabor do vento. Nossa esperança é a de que, justamente, Céu não caia nas garras do mainstream, de um “padrinho” ou mesmo de uma major. Não podemos perder mais uma para o sistema (como já perdemos tantas)…

criado por maisumasaideira    10:24 — Arquivado em: Sem categoria

19.8.09

Quem se atreve a me dizer?

O inventor do samba de breque

Não se pode falar de cultura brasileira sem falar da história da música popular e, evidentemente, o samba em si. No início do século XX o samba passou a ganhar força e popularidade no território brasileiro. Nomes como Chiquinha Gonzaga, Donga e Sinhô serviram para consolidar o samba como a música essencialmente da raiz brasileira.
O duelo Noel Rosa x Wilson Batista, que começou com a composição de Feitiço da Vila (Noel Rosa), fez o público se deliciar como composições geniais como Lenço no Pescoço (Wilson Batista) e Palpite Infeliz (Noel Rosa). A partir da década de 1930 o público passou a tomar conhecimento dessas canções por meio das transmissões de rádio. Emissoras como a Mayrink Veiga e Rádio Nacional foram as grandes difusoras do samba, que ganhava corpo e espaço cada vez maior no coração dos brasileiros.
Em 1936, num cinema no bairro do Méier no Rio de Janeiro, Moreira da Silva, ou simplesmente o “Kid Morengueira”, cantou um samba chamado Jogo Proibido, de autoria de Tancredo Silva. No meio da música, com a plateia já vibrando com a performance de Moreira da Silva, ele ergue o braço e interrompe o acompanhamento do regional, causando espanto entre os músicos e solta a seguinte frase, com o samba em breque: “Eu meto o ácido no nariz do otário. O homem cai e diz: ‘Moreira, eu vou morrer’”. O público conhecia ali o que passou a se chamar samba de breque.
Entretanto o próprio Moreira reconheceu, em entrevista dada ao Jornal Última Hora em 02 de abril de 1982, que seu novo estilo havia sido adaptado de uma criação do carioca Luis Barbosa.
Entre 1935 e 1937 Luis Barbosa lançou uma série de sambas, que eram interrompidos para serem introduzidas frases cantadas no meio da música.
Portanto, o “real” inventor do samba de breque foi Luis Barbosa, porém o responsável pela popularidade e pelas interpretações geniais desse tipo de samba foi sem dúvida Moreira da Silva, o “mulatinho da Assistência”, ou o “Kid Morengueira”.

Valter Pereira

criado por maisumasaideira    9:39 — Arquivado em: Sem categoria

26.6.09

Quando Belchior encontrou Michael Jackson.

“Depois dele(s) não apareceu mais ninguem…” quem falou isso foi o bigode do Belchior, e voce com certeza já ouviu isso na vitrola ou no seu ultra celular com MP3, FM e o escambau, na voz da Elis Regina, do Milton Nascimento, os mais novos podem ter escutado com Los Hermanos, mas isso não tem importância, oque impota aqui é que depois de Michael Jackson o mundo da música não viu mais ninguém.

            Você lembra a sobremesa que você comeu ontem depois de se empanturrar de macarrão ?, ou qual a última musíca do último CD que você ouviu ?, ou a quanto tempo ele não gravava um CD novo ? Difícil né…!

            Pois bem, as duas primeiras perguntas  eu não posso te responder mas a última sim a exatamente 8 anos Michael Jackson não gravava um novo CD. Mas isso também não importa aqui.

            O que verdadeiramente importa é TUDO que Michael Jackson fez e deixou para a música pop, para o soul, funk, R&B,para o reggae e quem sabe até para o axé, para o forró, e o que mais seu player se sujeitar tocar, alguma coisa de Michael terá. Se não na sonoridade, talvez na influência, na aparência, na vontade ser alguém que se destaque na mesmice e na efemeridade do mundo musical da era do ‘faça você mesmo’, das “melhores bandas de todos os tempos da última semana” como já diziam os Titãs.

            Ninguém vendeu tanto um album quanto ele com o Thriller de 1982,  ninguém foi tão copiado como ele (aqui sem comparação com outro insubstituível, Elvis) enfim, a música e a atitude Pop tomaram outro sentido quando o menino (ex)negro deixou o conjunto da família o Jackson Five que também já tinha deixado seu nome gravado diretamente dos estúdios da Motown, para se lançar na carreira solo e tornar-se um verdadeiro fenômeno.

            Não haverá outro The Beatles, assim como o mundo jamais verá outro Frank Sinatra, outro trompetista como Chet Baker, e se Pelé é o rei do futebol, até os ermanos argentinos vão concordar que Michael foi o rei do Pop.

            Podem falar da sua preferência pela diversão juvenil com atividades difamatóias na tal da Never Land, que os filhos não eram dele, que o nariz dele era pior que o seu etc…, mas no mundo do showbusines poucos faziam ou fizeram frente com ele. Mesmo com tantos escândalos, com tantos menininhos, com crianças quase jogadas pela janela, o nome e a música de Michael continuam a soar nos ouvidos do Bronx ou da Restinga e conquistando gerações diversas – no mínimo três – e mesmo quem não conhece tanto assim a sua música, sabe de suas luvinhas, ou do sapato com meia soquete branca, ou o passinho pra trás que garanto,quase todos já passaram meia hora tentando imitar. E seja cantando Triler, Beat it, Billie Jean (Thriller, 1982) ou assobiando Bad (1987), ou mesmo pra meter o pau, Michael Jackson já foi assunto de todos um dia.

            Enfim o mundo de quem tem o mínimo de sensibilidade musical ficou mais triste nesse 25 de junho, e a música perdeu um de seus maiores astros.

            E como diz o ditado bola pra frente porque pra trás quem anda é o Michael Jackson.

            E ah… como disse um dia el bigodon Belchior  o mundo da música hoje fala “minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos…..(e vivemos).

Adeus Michael.

 

FELIPE MARÇAL

criado por maisumasaideira    9:08 — Arquivado em: Sem categoria

24.6.09

Tantos são os nomes…

Entre nomes

 

Cada coisa difere em seu nome;

Torna-se análoga ou distinta,

Faz de si única e presente,

Singular pedaço do mundo

Louvado por sua preciosidade,

Engrandecido pela genialidade

De seus signos inventados.

 

Aliás, quem cria os nomes?

Quem deu à poesia seu nome?

Afinal, poderíamos chamá-la cadeira,

Lacuna, ouvido, vaso…

Poderia a poesia chamar-se…sei lá…roseira?

 

A rosa tem nome de flor ou de cor?

Suas pétalas…ou pedaços…ou qualquer coisa assim,

Mesmo sendo brancas, vermelhas ou amarelas,

Recebem o mesmo nome: rosa.

Talvez, existissem somente rosas rosas,

Mas, mesmo as coloridas, inebriam com seu perfume.

 

Os odores, esses sim, são difíceis de nomear;

Apelando para os paladares

Aproximamo-nos vagamente:

Acre, azedo, amargo…

 

As comidas têm nomes engraçados:

Feijão seria um feijo em tamanho aumentado?

Sem contar o feijão de corda…

Esse parece mais personagem de fábulas medievais.

 

E o ovo….quem diria….não é oval!

Ou será que o nomeador do termo oval confundiu-se?

Talvez tenha sido o mesmo que deu o nome de Terra

À um lugar composto por dois terços de água…

 

Tantas coisas existem no mundo,

Mas nenhuma delas a ser nomeada.

Queria eu ser um nomeador!

Nomear uma coisa apenas!

Daria-lhe o nome de: centelha!

Independente da cor, sabor, tamanho,

Ou o nome que preferir…

Centelha seria o início!

O objeto distinto no meio do mundo;

Pronto a principiar algo,

A emergir com sua força

E brilhar austero sobre a certeza do horizonte!

Valter Pereira

criado por maisumasaideira    17:39 — Arquivado em: Sem categoria

16.6.09

Dez pessoas para se seguir

Coluna originalmente publicada no site Digestivo Cultural desta terça-feira (16/06). Sirvam-se À vontade:

Baudelaire reivindicava pra si o direito de “escolher seus irmãos”. Eu reivindico o direito de escolher os homens aos quais seguirei pela vida. Mestres do encantamento e do desencantamento, pensadores e/ou artistas que são, formam a família que eu escolhi para habitarem meus pensamentos e minha pátria verdadeira: o reino das ideias.

A cultura não é somente o reino da paz, mas também e principalmente uma zona de grandes tormentas. E é dentro dela que me viro e reviro abraçado às obras de literatura, música, filosofia, artes plásticas e ciências humanas em geral.

 

 

Leonardo da Vinci é mundialmente conhecido por causa de sua Mona Lisa. No entanto, pouco compreendido e pouco estudado, quase ninguém convive com ele profundamente, ao contrário, apenas o conhecendo num nível muito superficial. Paul Valéry sabia o valor do mestre renascentista. Fez sobre ele um livro, Introdução ao método de Leonardo da Vinci, no qual diz o seguinte: “o que fica de um homem é o que nos levam a pensar seu nome e as obras que fazem desse nome um signo de admiração, de ódio ou indiferença”. No caso de Leonardo, admiração. Talvez o mais respeitável pensamento que podemos ter sobre ele é de que não só sua obra é de uma grandiosidade inimitável, como a atitude que teve com o conhecimento, a arte e a busca pelo entendimento da natureza é um procedimento raro dentro da história da civilização humana. Apaixonado por tudo que o rodeava, tentava absorver e desenvolver pensamentos e práticas de conhecimento relacionando todas as áreas do conhecimento. O resultado é estrondoso em todos os campos do conhecimento. Não cabe aqui relatar esses resultados, mas para quem se interessar por um aprofundamento indico os autores seguintes (todos traduzidos no Brasil, para nossa felicidade) que estudaram Da Vinci: Kenneth Clark, Michael White, Richard Friedenthal, Fritjof Capra, Sherwin Nuland e Martin Kemp, só para começar.

 

Franz Kafka escreveu longas cartas a Felícia, sua noiva, tentando explicar-lhe que tudo o que não é literatura o enfadava, inspira-lhe tédio mortal. Construiu uma das mais ousadas obras da literatura do século XX, mostrando a quem quiser ver que dado o nível burocrático que chegamos não passamos de insetos ou delirantes seres rodeados por poderes nos quais não controlamos nem uma ínfima parte. E quem ousar abandonar o modus vivendi determinado pelo aparelho burocrático será reduzido a um inseto que, no mínimo, será eliminado. O que é terrível é ele dizer claramente para todos: “vocês não são mais humanos, apenas insetos”. Autor de obras como A metamorfose, O processo e Colônia penal, dentre outras tantas, suas narrativas podem ser definidas segundo a frase de T. W. Adorno: “o que choca não é o monstruoso, mas sua evidência”. Sobre seus personagens podemos dizer, usando as palavras do próprio Kafka: “nós provavelmente somos de todos os seus semelhantes os mais chegados a você” (O processo).

O poeta

Rainer Maria Rilke é conhecido pela obra Cartas a um jovem poeta, onde vaticinava: “basta sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo”. Poeta que escrevia por necessidade existencial e não para “terminar na imprensa”, descortinou reinos inusitados da linguagem poética que engrandeceram a sensibilidade humana. Como podemos ficar indiferentes a poemas como “Pietà”, onde a referência a Michelângelo encontra aquela grandeza reclamada por Kant de um gênio enviando uma mensagem a outro gênio. Parafraseando Heidegger, podemos dizer que só existe realmente mundo onde está a verdadeira poesia. É o que Rilke nos sugere.

 

Sigmund Freud nos mostrou que mais do que seres culturais somos animais presos às condições determinadas pelo desejo e pela natureza. Escravos da fome, do sono, da sede e do desejo sexual, o animal humano tornou-se um neurótico tentando driblar a satisfação básica desses desejos criando o artifício controlador da cultura. O resultado, concluiu, é uma civilização do descontentamento. As indústrias dos calmantes, da pornografia, da guerra estão aí para provar.

 

Mozart fez da música a extensão da sensibilidade humana nos seus momentos mais profundos, seja na alegria (Dom Giovanni) ou no terror (Réquiem), ou nos dois juntos (A Flauta Mágica). O compositor nos ensinou que do timbre e do ritmo de uma música podem derivar a solenidade, a majestosidade, o drama, o estarrecimento, a ternura, a jovialidade e, sobretudo, a beleza absoluta. Mozart, como disse Norbert Elias, tinha acentuada capacidade de criar inovações que comunicavam uma mensagem potencial aos outros, produzindo neles ressonâncias, como se ao entrar na alma de alguém o pusesse naturalmente para sonhar com os maravilhosos mundos por ele criado.

 

Marcel Proust nos ensinou que o amor vive da falta, dela se alimentando com voracidade. Mostrou que a verdadeira memória é o do acontecimento no qual você estava tão envolvido que não percebeu. A memória é a vida. E a vida, realmente vivida, é a vida literária, lugar de onde se descortina a essência humana na sua mais profunda significação.

 

Friedrich Nietzsche admirava em Byron o fato do poeta ter transformado a sua própria vida em uma obra de arte; para o filósofo alemão o existir e o mundo só se justificam eternamente como fenômeno estético. Ao ouvir a música de Wagner, dizia: “cada fibra, cada nervo meu estremece”. Para Nietzsche a música é a experiência estética por excelência, pois ela é uma atividade onde a liberdade é absoluta, pois prescinde do conceito. Nietzsche ensinou que somos mais entranhas que pensamento. Acabou educando Freud e a todos nós.

Para

Karl Marx a história da humanidade é a história da luta do homem pela liberdade. E a liberdade por ele sonhada é a busca para se escapar da necessidade. “O reino da liberdade começa onde termina o reino da necessidade”. Em termos de mundo contemporâneo, talvez o reino da liberdade seja o reino do tempo livre, aquele que você não vende. Ou você não tem tempo para pensar sobre isso, caro leitor?

 

Roland Barthes dizia que “as transgressões da linguagem possuem um poder de ofensa pelo menos tão forte quanto o das transgressões morais”. E os grandes mestres são, antes de tudo, todos eles, mestres da renovação da linguagem. Como dizia Mallarmé, “não conheço outra bomba além de um livro”. Barthes nos ensinou que a língua é poder, mas que a écriture, o momento onde a linguagem vira poesia, é liberdade. E a liberdade, para o leitor, é o prazer de ler.

 

Jardel Dias Cavalcanti

 

criado por maisumasaideira    6:48 — Arquivado em: Sem categoria

2.5.09

…aqui me tens de regresso…

Após um longo e tortuoso inverno voltei a postar regularmente neste singelo espaço. Dou minha palavra que as ausências jamais serão tão longas… Palavra de poeta!!

Palavra de poeta

Tanto pra dizer um pouco;
Pouco pra dizer um tanto;
Tento não sobrar dizeres,
dizeres que dizem tão pouco,
mesmo quando não o sabem tanto.

Tento peneirar palavras,
mas as palavras dizem quase nada;
entristecem dormentes,
sem função morfológica ou sintática;
palavras são só signos,
insignificantes rabiscos inertes;
sorriem estáticas.

Mudam de sentido e sentimento
na contramão dos olhos;
dizem frases e orações,
dizem canções e dizem versos.

Palavras são tão somente idéias
em garranchos inefáveis no papel;
palavras do poeta são a rima
que ele as pinta numa tela com pincel.

Valter Pereira

criado por maisumasaideira    22:31 — Arquivado em: Poesias

25.1.09

Nas terras de Gardel…

Quase tudo pronto pra ir conhecer (daqui a 2 meses) a terra de Gardel, do tango etc… O roteiro será Punta del Este-Montevideo- Buenos Aires, ainda faltam alguns ajustes e ainda umas pesquisas pra poder explorar tudo que tiver de bacana por lá.

Simbóra ?!!

FELIPE

criado por maisumasaideira    12:07 — Arquivado em: Sem categoria

9.12.08

Metamorfoses

Com o impacto da primeira luz,
a primeira palmada,
o choro, o riso,
a chegada,
o prenúncio do início.
É a construção de virtudes,
a confirmação de vícios;
o casulo pronto se abre…
é só o começo…
e então começa a metamorfose.

O começo de muitas mudanças:
de humor, de dor,
de inimigos, de cores,
de flores, de amores…
É o começo do sol,
e o sol é só o começo.
O menor agora é tudo,
o tudo, que não era nada,
agora transformou-se,
tornou-se incalculável;
é um universo em expansão,
um tanto quanto imensurável.

A estagnação é insuportável.
Mesmo no conforto,
o não transformar-se
torna-se um exercício da mesmice;
não aceitar o marasmo
é ver-se um ser em mutação,
disposto a lutar contra si e todos,
todos os dias,
buscando novas metamorfoses.
Enquanto isso,
quem estaciona no conformismo,
diminui-se em demasia;
assim como a alma,
projetada a exibir sua pele de camaleoa,
fatiga-se pelo desejo reprimido,
e conforma-se com o silêncio,
suspirando um triste e imutável gemido.

criado por maisumasaideira    15:09 — Arquivado em: Sem categoria

O TEATRO MÁGICO EM POA 11/12 BÓRA ???

Os caras vão estar em Porto Alegre na quinta-feira 11/12 simbóra ??!!!

A minha tv não se conteve
Atrevida passou a ter vida
Olhando pra mim.
Assistindo a todos os meus segredos,
minhas parcerias, dúvidas, medos,
Minha tv não obedece.

Não quer mais passar novela,
sonha um dia em ser janela
e não quer mais ficar no ar.
Não quer papo com a antena
nem saber se vale a pena ver de novo tudo que já vi.

A minha TV não se esquece
nem do preço nem da prece que faço pra mesma funcionar.
Me disse que se rende a internet
em suma não se submete a nada pra me informar.

Não quis mais saber de festa
não pensou em ser honesta funcionando quando precisei.
A notícia que esperava
consegui na madrugada num site, flick, blog, fotolog que acessei.

A minha TV tá louca,
me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá.
Mas eu sou facinho de marré-de-sí,
se a maré subir, eu vou me levantar.
Não quero saber se é a cabo
nem se minha assinatura vai mudar tudo que aprendi,
triste o fim do seriado,
um bocado magoado sem saber o que será de mim.

Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha língua.
(She doesn’t speak my tongue)

Não.
"Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano, não aguento mais, é foda!"

Manda bala Fernando…

Enquanto pessoas perguntam por que, outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Acesso é poder e o poder é a informação. Qualquer palavra satisfaz. A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz. O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio. Um minuto de silêncio é um minuto reservado de murmúrio, de anestesia. O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia, com a narrativa. A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento, na tua tela querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela que não tem gesto, quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto.

Num passado remoto perdi meu controle…
Num passado remoto…

Era vida em preto e branco,
quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz,
finalmente se acabando feito longa, feito curta que termina com final feliz..

Ela não SAP quem eu sou,
Ela não fala a minha língua.

Eu não sei se pay-per-view ou se quem viu tudo fui eu.
A minha tv tá louca.

XANÉU N°5 - O Teatro Mágico (Fernando Anitelli)

criado por maisumasaideira    8:57 — Arquivado em: Sem categoria

5.12.08

Sobre o que finjo ser

Todo dia é igual
de um jeito diferente;
Visto minha máscara
e passo a interpretar papéis.
Cada dia é um…
Há dias em que sou um déspota
ou um assassino em potencial;
há outros em que finjo ser Deus,
às vezes um reles mortal;
sou um romântico apaixonado,
um poeta indiferente
ou um ausente enfastiado;
há dias em que canso-me de ser…
De ser correto, ser objeto;
de ser o que não sou;
de sonhar, planejar, fracassar
e sonhar…
Mais um dia vou escolher quem serei;
Talvez o azul ou vermelho;
a luz, o espelho…
Talvez seja o todo
ou a parte,
o sagrado, o profano,
o popular, o erudito,
o palestino, o judeu;
Talvez eu deseje variar
e pra variar um pouco
talvez eu prefira ser eu.

VALTER PEREIRA
www.valterpereira.net

criado por maisumasaideira    6:42 — Arquivado em: Sem categoria

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