MAIS UMA SAIDEIRA

Só mais uma…

3.3.10

A morte anunciada dos Titãs

Não quero parecer oportunista, agora que o Charles Gavin pulou fora dos Titãs, mas o grupo há anos estava morto. Agora só falta enterrar. Os Titãs passaram de uma banda vigorosa, criativa, para um arremedo de grupo, uma banda de fim de semana que se reúne apenas quando sobra espaço na agenda de seus integrantes, que, com a lenta decadência, passaram a se dedicar a outras atividades. Paulo Miklos virou ator, quase sempre fazendo os mesmos papéis (uma espécie de Jece Valadão dos anos 2000); Bellotto virou escritor de romances policiais; Branco Mello fez um documentário bacana sobre a banda e gravou discos fracos sozinho; Sérgio Britto, o mais apagado dos integrantes, seguiu fazendo discos sofríveis que nunca foram notados; já Gavin se embrenhou na história de nossa MPB e de lá não saiu mais. Tudo indica que vai continuar prestando bons serviços à música, trazendo à tona relíquias esquecidas de nosso potente cancioneiro.

Nos últimos tempos, quando sobrava um tempinho, os cinco se reuniam para protocolares discos como Domingo e o mais recente Sacos Plásticos, no qual a sonoridade agressiva de antigamente deu lugar a um som pasteurizado muito parecido com o de bandas que costumam frequentar as primeiras posições do pop nacional. Não vou nem citar nomes em respeito ao passado glorioso dos Titãs.

Mas nem sempre foi assim. Não sou nem tão velho para ter visto a banda nascer, nem tão novo para tê-la conhecido em seu período sofrível. Estou no meio do caminho, então ainda peguei os Titãs fazendo música com tesão, suor e lágrimas. Lembro de ter comprado o Tudo ao mesmo tempo agora, logo quando saiu, em 1991. Dizem, sem muito nexo, que o disco era oportunista, que pegou carona na onda do grunge e se deu mal. Bobagem, o disco é do caralho, com um som cru e letras desbocadas que hoje, certamente, os atuais Titãs não se sentem muito à vontade em executá-las. É o disco mais punk dos Titãs, muito mais bagaceira e escatológico que o Cabeça Dinossauro, que trazia uma anarquia criativa mais diversificada.

O disco talvez só tenha saído assim, maravilhosamente tosco, porque não teve ninguém na orelha dos caras para dar pitaco. Liminha, o produtor do bem-sucedido Cabeça Dinossauro, desta vez estava fora. Os oito integrantes se encarregaram de produzir o disco. E o resultado são músicas como “Clitóris”, uma homenagem à vagina, e “Isso para mim é perfume”, cantada por Nando Reis e que fala, de uma forma singela, sobre a intimidade dos casais: “Isso para mim é perfume/ Suor, fedor/ Isso para mim é garboso/ (…)/ Cheirar sua calcinha suja na menstruação/ (…)/ Amor, eu quero te ver cagar”. Muito singelo!

Mas as pérolas do disco são as terrivelmente existencialistas e egocêntricas “Eu vezes eu”, com uma guitarra matadora, que duela palmo a palmo com os solos de “Polícia” e “Lugar nenhum”, dois outros petardos do repertório titânico, e “Já”. Cantada por Arnaldo Antunes, “Já” é uma espécie de hino dos vencidos, com uma das letras mais deprês do rock nacional, ainda que a música que a acompanha seja até que bem ligeira. Em plena Era Collor, um tempo de pouca esperança, Arnaldo pergunta: “Você já tentou varrer a areia da praia?/ Já ficou no escuro ouvindo o canto da cigarra?/ Já ficou no espelho rindo sozinho da sua cara?/ Já dormiu sem ninguém num canto de rodoviária?/ Já dormiu com alguém por migalha?”.

A essas letras niilistas, contrapunham-se canções engraçadas, mesmo que o humor, nesse caso, fosse meio negro. Assim começa “Flat-cemitério-apartamento”: “E se o Jóquei promovesse alguns páreos com jumentos?/ E se a Royal injetasse nos anões uma dose excessiva de fermento?/ E se as Casas da Banha abatessem alguns gordos para seu abastecimento?/ E se a Dulcora lançasse no mercado um drops diet de cimento?/ E se a Duloren anunciasse uma nova linha de calcinhas que já vêm com corrimento?”.

E é bom lembrar que esse tapa na orelha foi dado no começo dos anos 1990, quando o sertanejo impregnou as rádios do país com “ai, ai, ais”. Era mais um motivo para adimirar os Titãs, que produziram um fracasso comercial, mas também um disco foda de rock. A mídia, na época, disse que as letras eram nonsense, infantis. Mas, espera aí, o que os Ramones fizeram durante trinta anos? Tratados existencialistas que não foram. Desde que nasceu o rock é nonsense. E outra: não há, na discografia dos Titãs, música mais nonsense do que “Cabeça Dinossauro”, que não quer dizer absolutamente nada. Mas essa a crítica adorou.

Então, quando ainda nem estava na moda ir para um sítio gravar discos, os Titãs pegaram suas guitarras e seus versos sujos e foram para uma tal de Granja Viana, em São Paulo.

E lá fizeram um verdadeiro disco de rock. Nervoso, sujo, vigoroso e desbocado. O engraçado é que, dois anos antes, os caras tinham feito um disco que ainda hoje é considerado o trabalho mais MPB da banda, seja lá o que isso quer dizer. Õ blesq blom é o disco que tem “O Pulso” e “Flores”. É um bom disco, maravilhoso perto dos últimos trabalhos do grupo, mas fica no chinelo quando colocado ao lado de Jesus não tem dentes no país dos banguelas, Cabeça Dinossauro e Tudo ao mesmo tempo agora.

E logo na sequência veio Titanomaquia. Eu estava tão alucinado com a banda, que cheguei a ter três exemplares do disco, todos roubados por amigos que esqueceram de devolver. Foi quando o Arnaldo resolveu cair fora. Acho que pode ter sido o começo do fim. No entanto, ninguém me tira da cabeça que a pior coisa que aconteceu com os Titãs foi terem gravado aquele maldito acústico. Aquilo fodeu com a banda, que sentou naquele milhão de discos que vendeu e ficou parada no tempo. Depois dali, nunca mais escutei um acorde sequer relevante dos Titãs. Foi só decepção. Acho que depois que os caras gravaram aquela música ridícula dos Mamonas Assassinas, com um clipe ainda mais ridículo, o Nando Reis parou e penseu: “tá na hora de fazer música de verdade novamente”. E se deu bem. Engatou uma parceria com a Cássia Eller e fez bons discos.

Agora Gavin sai da banda. É claro que os quatro que restaram podem se reunir e fazer um puta disco, como os melhores que já fizeram ― é só dar uma olhada no DVD que gravaram com os Paralamas. Mas, pelo andar da carruagem, não é isso que vai acontecer. Os Titãs parecem fadados a continuar fazendo música insossa, burocrática e modorrenta. Depois daqueles discos acústicos nunca mais comprei nada dos Titãs. Baixo, já meio desanimado, sempre que lançam novos discos. Mas acho que faço isso em respeito a uma banda que admirei. Na real, sei que o grupo não existe mais, é um simulacro do que foi. Ainda sabem agitar, fazem bons shows com o material antigo, mas quando começam a tocar músicas como “Epitáfio” e pedem que as mãozinhas da plateia balancem pra lá e pra cá, é hora de ir ao banheiro, tomar uma cerveja e ir para casa. Talvez haja até tempo para escutar Tudo ao mesmo tempo agora.

Luiz Rebinski Junior

www.digestivocultural.com.br

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26.2.10

Cordel do Fogo Encantado chega ao fim!

SÃO PAULO - Após 11 anos de existência, o produtor da banda Cordel do Fogo Encantado comunica por e-mail divulgado à imprensa que o grupo se desfez, em consequência da saída de seu fundador, José Paes de Lira, o Lirinha, por motivos pessoais.  

Em seu comunicado, Antonio Gutierrez informa que não houve briga entre os integrantes, mas que foram suspensas as apresentações ao vivo e gravações em estúdio. 

Haverá uma única exceção: um lançamento em breve do registro do último show, em 14 de fevereiro, na praça do Marco Zero no Recife. 

Os fãs poderão obter mais informações sobre as últimas atividades da banda por meio de seu site oficial que continuará ativo. 

Fonte: www.estadao.com.br 

criado por maisumasaideira    14:03 — Arquivado em: Sem categoria

25.2.10

Big Brother: Programa Imbecil

Desce mais uma!!

Estou de volta pra postar um cordel fantástico do educador e cordelista baiano Antonio Carlos de Oliveira Barreto. Sirvam-se à vontade!

Programa Imbecil

Big Brother Brasil: Programa Imbecil

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bial
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

criado por maisumasaideira    11:23 — Arquivado em: Sem categoria

2.9.09

Dica Sonora

Nota publicada dia 02/09/09 no site Digestivo Cultural

Vagarosa, de Céu
Se você não sabe qual das novas cantoras de música brasileira escolher, despreze olimpicamente a maioria delas e concentre-se na Céu. É provavelmente a única que não ficou presa no cânone da MPB dos anos 60, não se espelha obsessivamente na Marisa Monte dos anos 90 e nem tenta pegar o vácuo da ressurreição eletrônica da bossa nova nos anos 2000. Num momento em que até as velhas divas perderam o rumo – porque seus principais compositores perderam igualmente o rumo –, Céu traz uma nova proposta, inspirada no balanço do reggae e nas levadas do funk, na sofisticação do jazz e na tradição do melhor samba, com pitadas inteligentes de música eletrônica. Seu segundo CD, Vagarosa, soa diferente de tudo o que está aí, provocando um saudável estranhamento inicial até em ouvidos experimentados. Não apela para a batida fórmula de “voz e violão”, não se entrega ao romantismo cafona das trilhas de novela e nem precisa do cansativo axé da Bahia para se sustentar. Céu não parece ter crescido no Brasil das últimas décadas – ao menos, musicalmente. Não há nela, por exemplo, nenhum ranço de Roberto Carlos (a efeméride mais caduca deste ano), Caetano & Gil (um não conseguiu se recuperar da separação; o outro, do MinC) ou mesmo Nelson Motta (depois de Noites Tropicais, todas as arrivistas sem talento querem fazer parte de sua biografia). Fora os horrores do sertanejo universitário, dos religiosos cantores e das dançarinas multi-uso – Céu também passa longe do mau gosto do Brasil das classes C e D. É a intérprete, e a compositora, que a gravadora Trama gostaria de ter lançado; que Maria Rita poderia ter sido (se tivesse um programa mais definido); e cuja independência as veteranas hoje almejam, porque Céu parece ter identidade própria, quando todo mundo navega ao sabor do vento. Nossa esperança é a de que, justamente, Céu não caia nas garras do mainstream, de um “padrinho” ou mesmo de uma major. Não podemos perder mais uma para o sistema (como já perdemos tantas)…

criado por maisumasaideira    10:24 — Arquivado em: Sem categoria

19.8.09

Quem se atreve a me dizer?

O inventor do samba de breque

Não se pode falar de cultura brasileira sem falar da história da música popular e, evidentemente, o samba em si. No início do século XX o samba passou a ganhar força e popularidade no território brasileiro. Nomes como Chiquinha Gonzaga, Donga e Sinhô serviram para consolidar o samba como a música essencialmente da raiz brasileira.
O duelo Noel Rosa x Wilson Batista, que começou com a composição de Feitiço da Vila (Noel Rosa), fez o público se deliciar como composições geniais como Lenço no Pescoço (Wilson Batista) e Palpite Infeliz (Noel Rosa). A partir da década de 1930 o público passou a tomar conhecimento dessas canções por meio das transmissões de rádio. Emissoras como a Mayrink Veiga e Rádio Nacional foram as grandes difusoras do samba, que ganhava corpo e espaço cada vez maior no coração dos brasileiros.
Em 1936, num cinema no bairro do Méier no Rio de Janeiro, Moreira da Silva, ou simplesmente o “Kid Morengueira”, cantou um samba chamado Jogo Proibido, de autoria de Tancredo Silva. No meio da música, com a plateia já vibrando com a performance de Moreira da Silva, ele ergue o braço e interrompe o acompanhamento do regional, causando espanto entre os músicos e solta a seguinte frase, com o samba em breque: “Eu meto o ácido no nariz do otário. O homem cai e diz: ‘Moreira, eu vou morrer’”. O público conhecia ali o que passou a se chamar samba de breque.
Entretanto o próprio Moreira reconheceu, em entrevista dada ao Jornal Última Hora em 02 de abril de 1982, que seu novo estilo havia sido adaptado de uma criação do carioca Luis Barbosa.
Entre 1935 e 1937 Luis Barbosa lançou uma série de sambas, que eram interrompidos para serem introduzidas frases cantadas no meio da música.
Portanto, o “real” inventor do samba de breque foi Luis Barbosa, porém o responsável pela popularidade e pelas interpretações geniais desse tipo de samba foi sem dúvida Moreira da Silva, o “mulatinho da Assistência”, ou o “Kid Morengueira”.

Valter Pereira

criado por maisumasaideira    9:39 — Arquivado em: Sem categoria

26.6.09

Quando Belchior encontrou Michael Jackson.

“Depois dele(s) não apareceu mais ninguem…” quem falou isso foi o bigode do Belchior, e voce com certeza já ouviu isso na vitrola ou no seu ultra celular com MP3, FM e o escambau, na voz da Elis Regina, do Milton Nascimento, os mais novos podem ter escutado com Los Hermanos, mas isso não tem importância, oque impota aqui é que depois de Michael Jackson o mundo da música não viu mais ninguém.

            Você lembra a sobremesa que você comeu ontem depois de se empanturrar de macarrão ?, ou qual a última musíca do último CD que você ouviu ?, ou a quanto tempo ele não gravava um CD novo ? Difícil né…!

            Pois bem, as duas primeiras perguntas  eu não posso te responder mas a última sim a exatamente 8 anos Michael Jackson não gravava um novo CD. Mas isso também não importa aqui.

            O que verdadeiramente importa é TUDO que Michael Jackson fez e deixou para a música pop, para o soul, funk, R&B,para o reggae e quem sabe até para o axé, para o forró, e o que mais seu player se sujeitar tocar, alguma coisa de Michael terá. Se não na sonoridade, talvez na influência, na aparência, na vontade ser alguém que se destaque na mesmice e na efemeridade do mundo musical da era do ‘faça você mesmo’, das “melhores bandas de todos os tempos da última semana” como já diziam os Titãs.

            Ninguém vendeu tanto um album quanto ele com o Thriller de 1982,  ninguém foi tão copiado como ele (aqui sem comparação com outro insubstituível, Elvis) enfim, a música e a atitude Pop tomaram outro sentido quando o menino (ex)negro deixou o conjunto da família o Jackson Five que também já tinha deixado seu nome gravado diretamente dos estúdios da Motown, para se lançar na carreira solo e tornar-se um verdadeiro fenômeno.

            Não haverá outro The Beatles, assim como o mundo jamais verá outro Frank Sinatra, outro trompetista como Chet Baker, e se Pelé é o rei do futebol, até os ermanos argentinos vão concordar que Michael foi o rei do Pop.

            Podem falar da sua preferência pela diversão juvenil com atividades difamatóias na tal da Never Land, que os filhos não eram dele, que o nariz dele era pior que o seu etc…, mas no mundo do showbusines poucos faziam ou fizeram frente com ele. Mesmo com tantos escândalos, com tantos menininhos, com crianças quase jogadas pela janela, o nome e a música de Michael continuam a soar nos ouvidos do Bronx ou da Restinga e conquistando gerações diversas – no mínimo três – e mesmo quem não conhece tanto assim a sua música, sabe de suas luvinhas, ou do sapato com meia soquete branca, ou o passinho pra trás que garanto,quase todos já passaram meia hora tentando imitar. E seja cantando Triler, Beat it, Billie Jean (Thriller, 1982) ou assobiando Bad (1987), ou mesmo pra meter o pau, Michael Jackson já foi assunto de todos um dia.

            Enfim o mundo de quem tem o mínimo de sensibilidade musical ficou mais triste nesse 25 de junho, e a música perdeu um de seus maiores astros.

            E como diz o ditado bola pra frente porque pra trás quem anda é o Michael Jackson.

            E ah… como disse um dia el bigodon Belchior  o mundo da música hoje fala “minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos…..(e vivemos).

Adeus Michael.

 

FELIPE MARÇAL

criado por maisumasaideira    9:08 — Arquivado em: Sem categoria

24.6.09

Tantos são os nomes…

Entre nomes

 

Cada coisa difere em seu nome;

Torna-se análoga ou distinta,

Faz de si única e presente,

Singular pedaço do mundo

Louvado por sua preciosidade,

Engrandecido pela genialidade

De seus signos inventados.

 

Aliás, quem cria os nomes?

Quem deu à poesia seu nome?

Afinal, poderíamos chamá-la cadeira,

Lacuna, ouvido, vaso…

Poderia a poesia chamar-se…sei lá…roseira?

 

A rosa tem nome de flor ou de cor?

Suas pétalas…ou pedaços…ou qualquer coisa assim,

Mesmo sendo brancas, vermelhas ou amarelas,

Recebem o mesmo nome: rosa.

Talvez, existissem somente rosas rosas,

Mas, mesmo as coloridas, inebriam com seu perfume.

 

Os odores, esses sim, são difíceis de nomear;

Apelando para os paladares

Aproximamo-nos vagamente:

Acre, azedo, amargo…

 

As comidas têm nomes engraçados:

Feijão seria um feijo em tamanho aumentado?

Sem contar o feijão de corda…

Esse parece mais personagem de fábulas medievais.

 

E o ovo….quem diria….não é oval!

Ou será que o nomeador do termo oval confundiu-se?

Talvez tenha sido o mesmo que deu o nome de Terra

À um lugar composto por dois terços de água…

 

Tantas coisas existem no mundo,

Mas nenhuma delas a ser nomeada.

Queria eu ser um nomeador!

Nomear uma coisa apenas!

Daria-lhe o nome de: centelha!

Independente da cor, sabor, tamanho,

Ou o nome que preferir…

Centelha seria o início!

O objeto distinto no meio do mundo;

Pronto a principiar algo,

A emergir com sua força

E brilhar austero sobre a certeza do horizonte!

Valter Pereira

criado por maisumasaideira    17:39 — Arquivado em: Sem categoria

16.6.09

Dez pessoas para se seguir

Coluna originalmente publicada no site Digestivo Cultural desta terça-feira (16/06). Sirvam-se À vontade:

Baudelaire reivindicava pra si o direito de “escolher seus irmãos”. Eu reivindico o direito de escolher os homens aos quais seguirei pela vida. Mestres do encantamento e do desencantamento, pensadores e/ou artistas que são, formam a família que eu escolhi para habitarem meus pensamentos e minha pátria verdadeira: o reino das ideias.

A cultura não é somente o reino da paz, mas também e principalmente uma zona de grandes tormentas. E é dentro dela que me viro e reviro abraçado às obras de literatura, música, filosofia, artes plásticas e ciências humanas em geral.

 

 

Leonardo da Vinci é mundialmente conhecido por causa de sua Mona Lisa. No entanto, pouco compreendido e pouco estudado, quase ninguém convive com ele profundamente, ao contrário, apenas o conhecendo num nível muito superficial. Paul Valéry sabia o valor do mestre renascentista. Fez sobre ele um livro, Introdução ao método de Leonardo da Vinci, no qual diz o seguinte: “o que fica de um homem é o que nos levam a pensar seu nome e as obras que fazem desse nome um signo de admiração, de ódio ou indiferença”. No caso de Leonardo, admiração. Talvez o mais respeitável pensamento que podemos ter sobre ele é de que não só sua obra é de uma grandiosidade inimitável, como a atitude que teve com o conhecimento, a arte e a busca pelo entendimento da natureza é um procedimento raro dentro da história da civilização humana. Apaixonado por tudo que o rodeava, tentava absorver e desenvolver pensamentos e práticas de conhecimento relacionando todas as áreas do conhecimento. O resultado é estrondoso em todos os campos do conhecimento. Não cabe aqui relatar esses resultados, mas para quem se interessar por um aprofundamento indico os autores seguintes (todos traduzidos no Brasil, para nossa felicidade) que estudaram Da Vinci: Kenneth Clark, Michael White, Richard Friedenthal, Fritjof Capra, Sherwin Nuland e Martin Kemp, só para começar.

 

Franz Kafka escreveu longas cartas a Felícia, sua noiva, tentando explicar-lhe que tudo o que não é literatura o enfadava, inspira-lhe tédio mortal. Construiu uma das mais ousadas obras da literatura do século XX, mostrando a quem quiser ver que dado o nível burocrático que chegamos não passamos de insetos ou delirantes seres rodeados por poderes nos quais não controlamos nem uma ínfima parte. E quem ousar abandonar o modus vivendi determinado pelo aparelho burocrático será reduzido a um inseto que, no mínimo, será eliminado. O que é terrível é ele dizer claramente para todos: “vocês não são mais humanos, apenas insetos”. Autor de obras como A metamorfose, O processo e Colônia penal, dentre outras tantas, suas narrativas podem ser definidas segundo a frase de T. W. Adorno: “o que choca não é o monstruoso, mas sua evidência”. Sobre seus personagens podemos dizer, usando as palavras do próprio Kafka: “nós provavelmente somos de todos os seus semelhantes os mais chegados a você” (O processo).

O poeta

Rainer Maria Rilke é conhecido pela obra Cartas a um jovem poeta, onde vaticinava: “basta sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo”. Poeta que escrevia por necessidade existencial e não para “terminar na imprensa”, descortinou reinos inusitados da linguagem poética que engrandeceram a sensibilidade humana. Como podemos ficar indiferentes a poemas como “Pietà”, onde a referência a Michelângelo encontra aquela grandeza reclamada por Kant de um gênio enviando uma mensagem a outro gênio. Parafraseando Heidegger, podemos dizer que só existe realmente mundo onde está a verdadeira poesia. É o que Rilke nos sugere.

 

Sigmund Freud nos mostrou que mais do que seres culturais somos animais presos às condições determinadas pelo desejo e pela natureza. Escravos da fome, do sono, da sede e do desejo sexual, o animal humano tornou-se um neurótico tentando driblar a satisfação básica desses desejos criando o artifício controlador da cultura. O resultado, concluiu, é uma civilização do descontentamento. As indústrias dos calmantes, da pornografia, da guerra estão aí para provar.

 

Mozart fez da música a extensão da sensibilidade humana nos seus momentos mais profundos, seja na alegria (Dom Giovanni) ou no terror (Réquiem), ou nos dois juntos (A Flauta Mágica). O compositor nos ensinou que do timbre e do ritmo de uma música podem derivar a solenidade, a majestosidade, o drama, o estarrecimento, a ternura, a jovialidade e, sobretudo, a beleza absoluta. Mozart, como disse Norbert Elias, tinha acentuada capacidade de criar inovações que comunicavam uma mensagem potencial aos outros, produzindo neles ressonâncias, como se ao entrar na alma de alguém o pusesse naturalmente para sonhar com os maravilhosos mundos por ele criado.

 

Marcel Proust nos ensinou que o amor vive da falta, dela se alimentando com voracidade. Mostrou que a verdadeira memória é o do acontecimento no qual você estava tão envolvido que não percebeu. A memória é a vida. E a vida, realmente vivida, é a vida literária, lugar de onde se descortina a essência humana na sua mais profunda significação.

 

Friedrich Nietzsche admirava em Byron o fato do poeta ter transformado a sua própria vida em uma obra de arte; para o filósofo alemão o existir e o mundo só se justificam eternamente como fenômeno estético. Ao ouvir a música de Wagner, dizia: “cada fibra, cada nervo meu estremece”. Para Nietzsche a música é a experiência estética por excelência, pois ela é uma atividade onde a liberdade é absoluta, pois prescinde do conceito. Nietzsche ensinou que somos mais entranhas que pensamento. Acabou educando Freud e a todos nós.

Para

Karl Marx a história da humanidade é a história da luta do homem pela liberdade. E a liberdade por ele sonhada é a busca para se escapar da necessidade. “O reino da liberdade começa onde termina o reino da necessidade”. Em termos de mundo contemporâneo, talvez o reino da liberdade seja o reino do tempo livre, aquele que você não vende. Ou você não tem tempo para pensar sobre isso, caro leitor?

 

Roland Barthes dizia que “as transgressões da linguagem possuem um poder de ofensa pelo menos tão forte quanto o das transgressões morais”. E os grandes mestres são, antes de tudo, todos eles, mestres da renovação da linguagem. Como dizia Mallarmé, “não conheço outra bomba além de um livro”. Barthes nos ensinou que a língua é poder, mas que a écriture, o momento onde a linguagem vira poesia, é liberdade. E a liberdade, para o leitor, é o prazer de ler.

 

Jardel Dias Cavalcanti

 

criado por maisumasaideira    6:48 — Arquivado em: Sem categoria

2.5.09

…aqui me tens de regresso…

Após um longo e tortuoso inverno voltei a postar regularmente neste singelo espaço. Dou minha palavra que as ausências jamais serão tão longas… Palavra de poeta!!

Palavra de poeta

Tanto pra dizer um pouco;
Pouco pra dizer um tanto;
Tento não sobrar dizeres,
dizeres que dizem tão pouco,
mesmo quando não o sabem tanto.

Tento peneirar palavras,
mas as palavras dizem quase nada;
entristecem dormentes,
sem função morfológica ou sintática;
palavras são só signos,
insignificantes rabiscos inertes;
sorriem estáticas.

Mudam de sentido e sentimento
na contramão dos olhos;
dizem frases e orações,
dizem canções e dizem versos.

Palavras são tão somente idéias
em garranchos inefáveis no papel;
palavras do poeta são a rima
que ele as pinta numa tela com pincel.

Valter Pereira

criado por maisumasaideira    22:31 — Arquivado em: Poesias

25.1.09

Nas terras de Gardel…

Quase tudo pronto pra ir conhecer (daqui a 2 meses) a terra de Gardel, do tango etc… O roteiro será Punta del Este-Montevideo- Buenos Aires, ainda faltam alguns ajustes e ainda umas pesquisas pra poder explorar tudo que tiver de bacana por lá.

Simbóra ?!!

FELIPE

criado por maisumasaideira    12:07 — Arquivado em: Sem categoria

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